Você já ouviu falar que excesso de informação é desinformação?

Bia tem um curriculum invejável, daqueles de tirar o fôlego, com formações nacionais e internacionais. Sempre está a procura de uma nova vertente para complementar o estudo, sempre se mantém atualizada e investe muito dinheiro na sua formação e especializações. No entanto, Bia ainda não conseguiu colocar o seu projeto no mundo porque sente que ainda falta algo para completar as ferramentas que pretende usar, algo que vai “virar a chave” e tornar o seu trabalho memorável para os pais que atendem. Talvez terminar aquele curso que comprou há seis meses ou começar um outro que indicaram e que parece ser incrí­vel…

Se identificou essa história real? Você também compra mais livros do que consegue ler? Faz mais cursos do que consegue aplicar? Sempre está à procura da informação que vai te dar aquela ideia memorável OU que vai te deixar 100% segura e confiante para começar a exercer a sua missão de vida OU que vai te fazer conseguir cobrar o quanto você acha que merece?

Então eu sinto te dizer que você sofre de S.F.I (Síndrome da Fadiga de Informação). Segundo o autor do conceito, o psicólogo David Lewis, o excesso de informação paralisa a capacidade analí­tica e aumenta dúvidas e ansiedades.

Eu sei bem o que é sofrer de S.F.I. Eu já senti na pele e, sinceramente, é algo que até hoje requer muita presença e consciência para eu não recomeçar o ciclo vicioso.

Vou dividir nesse artigo um pouco do que eu aprendi e te dar dicas poderosas para avançar com os seus projetos e ainda continuar sendo amante do conhecimento:

Fazer um processo de Coaching é transformador. Mas você aprende inúmeras ferramentas e começa uma saga que mais parece o filme Senhor dos Anéis, com você sendo o personagem Frodo na interminável missão de proteger o anel.

Você quer aplicar todas. Você fica sabendo que tem um curso melhor, “x”, “y”, “z” que vai te dar o que? Mais ferramentas! E.. pá! Lá está você comprando mais um curso. E terminando você descobre que tem a versão “plus” que vai te dar.. adivinha? Mais ferramentas! Uau! Então você se torna o coach mais fantástico com mais ferramentas de todos! E você se orgulha muito de mostrar o seu curriculum, a sua Bio, o seu certificado, as fotos de todos os eventos e cursos e formações que você concluiu.

Mas quando te perguntam sobre quanto clientes pagantes você tem, bem”¦ sabe né? Estudar toma tempo”¦

Durante muitos anos eu sofri desse mal. Eu estudei, estudei, estudei”¦ E vi vários colegas meus, com menos conhecimentos do que eu, com menos preparação teórica do que a minha, prosperarem, conseguirem mais coachees, criarem negócios.

Então eu pensava: “Falta algo” ou “Ele descobriu algo que eu não descobri”. E qual a minha solução? Pagar um Mastermind e acreditar que aquele seria o momento da minha virada.

Só que nesse ambiente as pessoas já tinham resultados expressivos e o meu estilo acadêmico de ser me fez acreditar que para chegar ao ní­vel deles eu precisava estudar mais, aprender agora novas habilidades, fazer ví­deos, curso de oratória, uma câmera mais potente, jogo de luzes, um site mais bonito, um curso para “essa questão aqui: e outro para “aquela questão lᔝ.

Depois de muito me frustrar e de uma longa avaliação pessoal eu fui obrigada a admitir (me doeu e talvez doa em você) que o fator do qual eu mais me orgulhava, que era de receber elogios sobre o quanto eu era estudiosa, dedicada, inteligente, etc, estava me paralisando de uma maneira feroz e cruel.

É claro que hoje eu agradeço ao caminho que eu percorri e a cada pessoa que passou por ele. Valeu a pena, claro, mas é muito sério quando eu falo que eu teria economizado muito dinheiro e tempo se tivesse aprendido antes a me dar um respiro, a aplicar o que eu aprendi antes de seguir e, principalmente, a confiar em mim, na minha capacidade de aplicar as ferramentas.

E é isso que eu quero te ensinar. A parar de ser ví­tima do Excesso de Informação e a dar um lugar para tudo o que você aprendeu, ainda que esse lugar seja entender que aquele não era o conhecimento que você precisava.

Sim, quem acumula informação é na maioria das vezes um perfeccionista que morre de medo do julgamento alheio e detesta fazer algo de qualquer jeito. O que o perfeccionista não entende é que o padrão de qualidade que ele impõe a si mesmo é absurdamente alto e insanamente difí­cil de alcançar. E, pior, é infinitamente superior ao padrão de qualidade que os clientes precisam.

Nesse artigo eu quero te mostrar uma luz no fim do túnel e te ensinar como administrar melhor a sua necessidade de informação para que seja capaz de avançar e usá-la a seu favor. Vem comigo?

1) Tenha Clareza de Onde você quer Chegar

Sem estrutura e sem a clareza do que realmente vai te ajudar a chegar onde você deseja, todo o conhecimento se transforma em pó.

Quando eu criei o Parent Coaching com as 10 ferramentas do coaching parental eu estava disposta a mostrar para os profissionais que mais vale uma boa estrutura na mão do que inúmeras ferramentas sem contexto e ordem. Como eu expliquei no começo do artigo eu sofri desse mal e ele me fez perder tempo.

O que você precisa nesse momento é criar um caminho de começo, que vai te permitir praticar, errar e acertar, para ajustar a rota.

Às vezes é duro perceber que o seu caminho de começo não está assim tão bem construído. No meu exemplo eu percebi que eu estava tentando usar ferramentas genéricas de coaching para um nicho específico (parental) e que todos os cursos que eu fiz não me ajudariam nessa questão, que é a de começar certo.

Ok, respirei, pesquisei, vi que no Brasil não tinham essas ferramentas e nem empresas ensinando coaching parental, respirei novamente e desenvolvi o meu método parental, testei, errei, acertei e cheguei ao meu começo perfeito. Demorei 2 anos mas, acredite, o meu começo valeu muito a pena porque me colocou no meu caminho e hoje eu posso ajudar mais profissionais desse nicho a economizarem tempo e dinheiro desde o começo.

Quais ferramentas e recursos você precisa para começar, agora, a viver pela sua paixão? Qual será o seu começo, algo que não te paralise, que não te faça perder tempo e que ao mesmo tempo te dê a tranquilidade para avançar?

2) Perfeição não existe

Sim, é duro ouvir isso. Eu sou perfeccionista e escrevendo essas palavras já me deu um arrepio porque todos os dias eu falo isso para mim mesma.

Acredite com todas as suas forças no que eu vou te dizer agora: A sua mensagem é mais importante que a sua mania de perfeição. A sua mensagem, a sua missão, o que você quer passar para o mundo é mais importante do que um ví­deo perfeito, um cartão incrível, um escritório dos sonhos ou um curso astronômico de caro que você quer fazer para se sentir mais segura.

As pessoas de hoje precisam do simples. Do que você pode dar agora. Sempre terão pessoas que precisam de você do jeito que você está agora, pronta, caminhando, aprendendo e ensinando.

Eu virava os olhos sempre que ouvia a frase “feito é melhor do que perfeito”. Eu logo pensava em algo inacabado, mal feito, de qualquer jeito. Era inadmissí­vel para mim ser vista como uma picareta que só quer se aproveitar das outras pessoas entregando conteúdos supérfluos. Até eu conseguir entender que o meu “feito” não é assim, ele tem qualidade, ele agrega valor, ele transforma pessoas.

Perfeccionistas não lidam bem com crí­ticas e um jeito de evitá-las é estabelecendo um padrão de qualidade tão alto que fica difícil colocar o seu projeto no mundo.

A grande questão é que a sua perfeição não vai acabar, você vai aprender a administrá-la, mesmo com o desconforto. Eu por exemplo já postei ví­deos onde a luz não era das melhores (com palpitações, medo de crí­ticas e pesadelos à noite). E  recebi tantas mensagens de carinho e agradecimento que me fizeram constatar que eu vejo defeitos muito mais do que as pessoas veem. O meu público quer a minha mensagem, então eu estou colocando ela no mundo, mesmo com algumas falhas.

3) Resista a Tentação

Desvie o olhar do que não vai te tirar do seu trajeto inicial e pare imediatamente de ver mais informação que você consegue assimilar no dia. Comece a ter foco no que é essencial para o próximo passo e para o seu objetivo. Você pode baixar essa folha de produtividade aqui e começar por ela a ser assertivo nas escolhas.

É uma dura tarefa, mas não se iluda: você não sairá do lugar se não se comprometer em parar de consumir mais do que é capaz de assimilar.

No processo de coaching o que você precisa é ter as ferramentas certas para o começo do processo. Você precisa gerar resultado para o seu cliente e só o que vai ter dar isso é a prática.

E a palavra “prática” pode ser bem complicada porque ela vem com uma voz irritante que te diz que você pode não dar conta, que a pessoa do outro lado pode perceber que você não domina tanto a técnica assim, seguida de outra voz que te diz que você precisa aprender só um pouco mais. É nessa hora que você precisa resistir a  tentação e colocar essa voz (que é o seu pensamento) no seu devido lugar.

Para mim a meditação ajuda muito e eu ainda quero contar um pouco sobre como ela me ajudou a aquietar um pouco a minha mente.

4) Administre as tecnologias com inteligência

Pare imediatamente de ler e querer assimilar tudo de uma vez e de se manter conectada 24 horas por dia. Pense em quantas interrupções você sofre ao longo do seu dia: E-mails, Facebook, Grupos de Whatsapp, Ligações, etc.

Sempre que uma tarefa que é interrompida levará 50% a mais de tempo para ser completada e terá 50% maior chance de erros do que tarefas feitas ininterruptamente. Uma interrupção para ver a mensagem que apitou no celular e lá se foi seu foco, sua motivação e até a memória do que você estava fazendo.

É mais ou menos assim: Você começa o dia vendo e-mail, então levanta e vai tomar um cafezinho, aproveita para entrar um minutinho e se atualizar das fofocas nas redes sociais, percebe que alguém te marcou, vai ler, interage, vê uma reportagem legal, comenta, olha o e-mail de novo e pronto! já é hora do almoço, o filho acorda, hora de buscar na escola, casa deixa de ser silenciosa e você entra no modo desespero acreditando que o tempo está contra você.

Resista a tentação de querer ver tudo de uma vez. Não dá certo, você se cansa e não é produtiva. Quando estiver no seu melhor horário (essa matéria explica melhor) desligue tudo o que pode te interromper.

Eu tenho como ferramenta o Facebook, tenho produtos digitais, recebo e-mails. Mas aprendi alguns truques magní­ficos:

Não começar o dia vendo e-mails ou mensagens – Acorde (de preferência com um despertador e não com celular), tome seu café, faça sua rotina matinal. Olhe o seu planejamento do dia e concentre-se para fazer as tarefas essenciais.

Começar o dia vendo e-mails acaba com ele. Isso é um vestí­gio do seu antigo “eu” que trabalhava no mundo corporativo. Agora você pode (e deve) fazer melhor o seu horário. Estabeleça horários para ver os seus e-mails, interagir com a sua audiência. Precisa ser proativo (agir porque quer naquele momento) e não reativo (agir porque a pessoa do outro lado quer).

Bloquear distrações quando precisar de foco – Silencie os grupos de Whatsapp por 01 ano, coloque no modo avião seu celular. Se a sua tarefa mais importante não exige acesso à internet, simplesmente desconecte o wireless.

Instalar o Kill News Feed, que é uma extensão gratuita para o Google Chrome que limpa seu feed de notí­cias do Facebook e o substitui por uma mensagem para que você não se distraia com a rede social. Para mim foi um divisor de águas!

Reduzir as janelas do computador, de preferência para uma por vez, e concentrar-se na tarefa principal do dia até terminar. Trabalhamos ou estudamos, em média, com oito janelas abertas ao mesmo tempo e passamos de uma a outra a cada 20 segundos.  Em uma pesquisa realizada pelo Webtrate, um software criado para controlar o uso da internet em pessoas que precisam se concentrar, 60% das pessoas disseram que abandonaram sua linha de pensamentos para responder um email ou comentar nas redes sociais enquanto trabalhavam ou escreviam textos que exigiam concentração máxima. Para não sofrer com a sensação de que vai perder a informação, instale o Pocket no seu computador. É uma extensão fácil e rápida que salva os links interessantes e que você pode acessar depois.

5) Organize seus Livros

Amante de cursos tem muito material guardado que nunca mais lê, pega ou utiliza. Segundo Marie Kondo, autora do livro A Mágica da Arrumação:  “Algum dia” equivale a “nunca”.

Quando eu li esse livro confesso que tive vontade de chorar na parte de organização de livros e papéis. Doeu meu coração fazer essa limpeza, mas ao mesmo tempo me libertou para seguir um caminho mais leve sobre os meus estudos.

Eu não consegui encontrar palavras melhores do que as dela para explicar o que deve ser feito, então vou colocar aqui o trecho do livro:

Livros são essencialmente papel ““ folhas de papel com letras impressas. Seu verdadeiro propósito é ser lido, é transmitir informações. Essas informações é que têm significado, e não o livro em si. Você lê pela experiência da leitura. Você já teve essa vivência com os livros que leu, já absorveu seu conteúdo, mesmo que não se lembre dele.

E quanto aos livros que você começou a ler e nunca terminou? Ou aos que comprou mas ainda não começou a ler? O que fazer com esses livros que você pretende ler algum dia? A internet facilitou a compra de livros, porém, como consequência, fez com que as pessoas tivessem muito mais livros não lidos do que antes. Tornou-se comum que as pessoas comprem um livro e pouco tempo depois já adquira outro sem sequer ter lido o primeiro. O problema dos livros que pretendemos ler é que são bem mais difíceis de descartar do que os que já lemos.

Se você possui muitos livros não lidos, aconselho que pare de insistir que irá lê-los e se livre de todos hoje mesmo. Por quê? Porque as chances de você pegar neles são mínimas.

Estatisticamente, apenas 15% dos meus clientes de fato leem algum livro que ficou muito tempo na lista dos não lidos. Quando questionadas sobre o motivo de guardarem tantos exemplares sem utilidade, as pessoas costumam responder: “Eu gostaria de aprender mais sobre isso”, “Vou voltar a estudar quando tiver um pouco mais de tempo”, “Achei que seria útil aprender inglês”, “Queria ler sobre contabilidade porque trabalho com administração” e outras coisas que giram em torno de algo que pretendem fazer “algum dia”.

Se até hoje você não fez o que pretendia, jogue o livro fora. Só depois de descartá-lo você poderá avaliar o seu nível de interesse por aquele assunto. Se não sentir falta, então você fez o que devia fazer. Se você quiser tanto o livro a ponto de estar disposto a comprar outro exemplar, compre um ““ e desta vez leia-o.

6) Organize sua Papelada

Apostilas de cursos, cadernetas com anotações dos cursos que você fez. Não tem sentido guardá-las se não for para ter à mão e usar para os seus conteúdos e clientes. Resumindo: Você usa? Você põe em prática o que aprendeu?

E mais uma vez vou recorrer às palavras da Marie Kondo: “Vejo pessoas acumulando materiais de diversos cursos e nunca mais tocando neles. Acho que não vale a pena guardar isso. Se o conteúdo não é posto em prática, os cursos não servem para nada. O verdadeiro material é a aula em si e para isso bastar estar presente enquanto assiste e aplicar logo depois”.

Difícil? Sim. Minhas apostilas ocupavam orgulhosamente um espaço considerável na minha estante, mas eu nunca mais ia lá ver. No meu caso o que eu fiz foi trazer toda ela para baixo e deixar em um lugar que eu pudesse ver todos os dias (e que me incomodasse porque não era alí um melhor lugar para estar).

Isso me obrigou a olhar para elas. A trabalhar esses conteúdos. A fazer virar ví­deo, artigo, post, palestra, etc. E então eu fui assimilando, dando vida ao conhecimento e deixando ir as apostilas.

7) Pratique agora mesmo o que você aprendeu

E então você deve ter tido um monte de ideias bacanas sobre o que leu mas será engolido em 3,2,1.. pela sua rotina alucinante.

Deve ter pensado: – Legal, depois eu vou fazer tudo isso e o depois é nunca!

Como o meu objetivo é te ajudar de verdade, eu quero propor para que você pare agora, pegue um papel e uma caneta e volte em cada tópico e coloque uma data para fazer.

1) Você tem clareza onde quer chegar? Onde? Quando?

2) Você é um perfeccionista? Onde percebe esse traço em você? Como pode reduzir a sua expectativa em relação a você mesmo e colocar seu trabalho no mundo? Por onde pode começar?

3) O que te distrai? Que tipo de conteúdo você anda consumindo e que não está te levando a lugar nenhum neste momento?

4) Que tipo de recursos para evitar distrações você usará? Quando vai instalar ou começar?

5) Quais livros você precisa deixar ir? Como pode direcionar esses livros para que eles cumpram o seu papel de serem lidos?

6) Quanto de apostilas e papéis você precisa descartar? Como você pode transformar as suas anotações em conteúdo vivo que transmita a mensagem que você quer para o mundo?

 

Me conta nos comentários como foi para você fazer essas reflexões e o quanto esse artigo te ajudou. E compartilha com aquele amigo perfeccionista que assim como você está sufocado de tanta informação sem saber o que fazer.


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